Artrose, osteoartrite, tendinite, bursite, hérnia de disco, síndrome femoroacetabular bilateral quadril .Patologias degenerativas, crônicas invisíveis e permanentes : causam ::: DOR !
Cervicobraquialgia não é sinônimo de artrose facetária degenerativa , e a síndrome do impacto femoroacetabular, como osteoartrite , tendinite, bursite e hérnia de disco. Essas patologias podem coexistir com alterações degenerativas, crônicas, permanentes e modificar quais movimentos são toleráveis. O texto abaixo mantém essa distinção.
Escrita
ARTROSE DEGENERATIVA, CERVICOBRAQUIALGIA E SÍNDROME FEMOROACETABULAR: O QUE DEVE SER EVITADO OU ADAPTADO?
Quando falamos em artrose degenerativa, é importante desfazer uma ideia equivocada: a recomendação médica atual não é deixar de se movimentar.
O exercício terapêutico é parte importante do tratamento da osteoartrite. Entretanto, o exercício precisa respeitar a articulação comprometida, o grau de degeneração, a presença de dor, limitação de movimento, comprometimento neurológico, força muscular e resposta individual à carga.
O NICE, uma das principais instituições internacionais produtoras de diretrizes clínicas, recomenda exercício terapêutico individualizado para pessoas com osteoartrite, incluindo fortalecimento muscular e condicionamento aeróbico. A orientação é manter atividade física, mas adequá-la às condições de cada paciente.
No Brasil, o Ministério da Saúde/CONITEC possui diretrizes específicas para o tratamento não cirúrgico da osteoartrite de quadril e de joelho, elaboradas com base em evidências científicas. As Diretrizes Nacionais/Brasileiras são documentos destinados a nortear as melhores práticas dos profissionais e gestores tanto no setor público quanto no privado.
QUADRIL — OSTEOARTRITE E SÍNDROME DO IMPACTO FEMOROACETABULAR
A osteoartrite do quadril é uma doença degenerativa da articulação. Já a Síndrome do Impacto Femoroacetabular — SIFA/FAIS é uma condição clínica caracterizada pela associação entre sintomas, sinais clínicos e alterações morfológicas do quadril. Portanto, as duas condições não devem ser tratadas como sinônimos, embora possam coexistir.
A própria Diretriz Brasileira para Osteoartrite de Quadril registra associação entre atividades envolvendo sobrecarga e movimentos repetitivos e o desenvolvimento de osteoartrite em determinados contextos.
Na Síndrome do Impacto Femoroacetabular, o consenso internacional da International Society for Hip Preservation recomenda que os exercícios considerem os movimentos que desencadeiam os sintomas e sejam executados de maneira que não produzam irritação articular adicional. O tratamento conservador pode envolver fortalecimento de quadril e região lombossacra, controle neuromuscular, mobilidade e modificação das atividades que provocam sintomas.
Assim, dependendo do quadro clínico, podem necessitar de redução, adaptação ou suspensão temporária:
• flexão profunda e repetitiva do quadril quando produz dor ou impacto;
• agachamentos muito profundos sintomáticos;
• movimentos repetitivos combinando flexão e rotação do quadril;
• pivôs e mudanças bruscas de direção que provoquem dor;
• corrida e saltos quando produzirem irritação articular;
• carga excessiva sobre a articulação;
• exercícios realizados repetidamente apesar de dor crescente na virilha ou no quadril.
Isso não significa que essas atividades sejam permanentemente proibidas para todas as pessoas. A tolerância e a indicação dependem da condição anatômica, funcional e clínica de cada paciente.
COLUNA — ARTROSE FACETÁRIA DEGENERATIVA
A artrose facetária é um processo degenerativo das articulações facetárias ou zigapofisárias da coluna.
Alteração radiológica e dor também não são necessariamente equivalentes: a avaliação médica precisa correlacionar imagem Aparecem na tomografia e RM exame físico e sintomas.
Existem diretrizes internacionais específicas para dor proveniente das articulações facetárias lombares e cervicais, elaboradas por grupos multidisciplinares e sociedades especializadas.
Em pessoas sintomáticas, merecem atenção especialmente os movimentos que reproduzem ou agravam consistentemente a dor. Conforme a região da coluna e o quadro clínico, podem necessitar de adaptação:
• extensão excessiva e repetitiva da coluna quando desencadeia dor;
• rotação forçada sob carga;
• hiperextensão associada à rotação;
• exercícios com cargas elevadas sem controle adequado do tronco;
• impacto repetitivo que agrave os sintomas;
• execução rápida ou descontrolada de exercícios de coluna;
• insistência em exercícios que produzem dor crescente ou sintomas irradiados.
O objetivo não é imobilizar a coluna. O manejo conservador de condições degenerativas normalmente inclui atividade, fortalecimento e reabilitação adequadamente prescritos.
CERVICOBRAQUIALGIA
A cervicobraquialgia descreve dor originada ou associada à região cervical que se estende para ombro, braço ou membro superior. Dependendo da causa, pode haver irritação ou compressão de uma raiz nervosa cervical, caracterizando quadro radicular.
Portanto, cervicobraquialgia não deve ser chamada simplesmente de “artrose do pescoço”.
Alterações degenerativas cervicais, osteófitos, discos, articulações uncovertebrais e articulações facetárias podem participar de alguns quadros. Em pacientes com radiculopatia cervical crônica, por exemplo, o American College of Radiology reconhece que estruturas ósseas degenerativas, incluindo osteófitos e articulações facetárias, podem estar relacionadas à compressão da raiz nervosa.
A orientação clínica contemporânea também não é manter o pescoço imóvel. Serviços musculoesqueléticos do NHS recomendam manter pescoço e braço em movimento e utilizar exercícios adequados, mas modificar as atividades que agravam os sintomas.
Devem ser avaliados e eventualmente adaptados exercícios que desencadeiem:
• aumento significativo da dor cervical;
• dor irradiada para o braço;
• formigamento ou dormência novos ou progressivos;
• perda de força;
• piora persistente dos sintomas após o treinamento.
Sintomas neurológicos progressivos merecem avaliação médica e não devem simplesmente ser “treinados por cima”.
BRAÇO, OMBRO E MEMBRO SUPERIOR — OSTEOARTRITE
Quando se diz popularmente “artrose no braço”, é preciso identificar qual articulação está comprometida.
A osteoartrite é uma doença da articulação. No membro superior ela pode envolver, por exemplo, ombro, cotovelo, punho ou articulações das mãos.
No ombro, existe inclusive diretriz específica da American Academy of Orthopaedic Surgeons — AAOS para osteoartrite glenoumeral, isto é, a articulação formada pela cabeça do úmero e pela glenoide da escápula.
Em um membro superior com osteoartrite sintomática, podem precisar de adaptação:
• levantamento de cargas excessivas;
• movimentos repetitivos que reproduzam a dor;
• exercícios acima da cabeça quando desencadeiam sintomas;
• amplitudes extremas realizadas sob grande resistência;
• movimentos rápidos ou explosivos sobre uma articulação dolorosa;
• insistência no exercício diante de dor articular crescente.
Mas, novamente, fortalecimento não é automaticamente contraindicado. A carga, amplitude, frequência e tipo de exercício precisam ser compatíveis com a articulação acometida.
JOELHOS
Para osteoartrite de joelho existe Diretriz Brasileira específica do Ministério da Saúde/CONITEC. O documento foi aprovado após avaliação da CONITEC e destina-se ao tratamento não cirúrgico da doença.
Em pessoas sintomáticas, atividades de alto impacto ou grande sobrecarga podem necessitar de adaptação, especialmente quando desencadeiam dor, edema, perda de função ou instabilidade.
Isso pode incluir, dependendo do caso:
• saltos repetitivos;
• corrida de alto impacto;
• agachamento muito profundo sintomático;
• grandes cargas articulares;
• repetição excessiva de escadas;
• exercícios que provoquem sensação de falseio ou incapacidade de controlar o membro.
Por outro lado, fortalecimento dos músculos que estabilizam o joelho, exercício aeróbico apropriado e manutenção da mobilidade fazem parte do manejo da osteoartrite.
ENTÃO, O QUE UMA PESSOA COM ALTERAÇÕES DEGENERATIVAS NÃO DEVE FAZER?
Não existe uma lista médica universal dizendo:
“Toda pessoa com artrose está proibida de fazer estes exercícios.”
O que existe é um princípio muito mais responsável:
não insistir repetidamente em uma atividade que esteja produzindo sobrecarga incompatível com a condição clínica, agravamento significativo da dor, perda funcional ou manifestações neurológicas.
O exercício precisa ser adaptado ao diagnóstico e à pessoa.
Isso é particularmente importante quando coexistem condições diferentes, como:
• osteoartrite de quadril;
• síndrome do impacto femoroacetabular;
• osteoartrite do joelho;
• osteoartrite do ombro ou de outras articulações do membro superior;
• artrose facetária degenerativa da coluna;
• cervicobraquialgia ou radiculopatia cervical.
O tratamento adequado não é simplesmente “parar”.
É determinar qual movimento, qual carga, qual amplitude, qual frequência e qual intensidade são adequados para aquela pessoa naquele momento clínico.
SINAIS QUE MERECEM REAVALIAÇÃO
Dor muscular transitória após exercício é diferente de deterioração neurológica ou articular.
A avaliação profissional torna-se particularmente importante diante de:
• dor intensa ou progressivamente maior;
• perda de força;
• braço ou perna que falha ou “cede”;
• formigamento ou dormência persistentes;
• alteração progressiva de sensibilidade;
• perda importante de mobilidade;
• inchaço articular relevante;
• dor irradiada que aumenta durante determinados movimentos;
• surgimento de alterações neurológicas.
FONTES E FUNDAMENTAÇÃO
BRASIL. Ministério da Saúde — CONITEC. Diretriz Brasileira para o Tratamento Não Cirúrgico da Osteoartrite de Quadril. Relatório de Recomendação nº 341.
BRASIL. Ministério da Saúde — CONITEC. Diretriz Brasileira para o Tratamento Não Cirúrgico da Osteoartrite de Joelho.
NICE — National Institute for Health and Care Excellence. Osteoarthritis in over 16s: diagnosis and management — NG226.
AAOS — American Academy of Orthopaedic Surgeons. Clinical Practice Guideline on the Management of Glenohumeral Joint Osteoarthritis.
International Society for Hip Preservation — ISHA. Consenso internacional para avaliação e tratamento fisioterapêutico da Síndrome do Impacto Femoroacetabular.
American College of Radiology. ACR Appropriateness Criteria — Cervical Pain or Cervical Radiculopathy, revisão de 2024.
Cohen et al. Consensus practice guidelines on interventions for lumbar facet joint pain. Regional Anesthesia & Pain Medicine, 2020.
Comentários
Postar um comentário