Dor e exercícios

Parecer bem não significa viver sem dor

Conviver com uma doença permanente, com desgaste contínuo e dor crônica, significa aprender a adaptar praticamente tudo. Existem dias melhores e piores e, dentro da própria dor crônica, podem surgir crises de dor aguda muito mais intensa.

Eu posso caminhar, sorrir, conversar, dançar e fazer exercícios. Isso não significa que não exista doença, dor ou limitação. Pelo contrário: o movimento faz parte da maneira que encontrei e foi recomendada como remédios por 3 méficos, além do Nusira e Restiva, para preservar minha mobilidade, minha autonomia e minha qualidade de vida. Muitas vezes, ficar parada dói mais do que me movimentar.

As adaptações estão presentes o dia inteiro. Não consigo, por exemplo, permanecer duas horas seguidas em uma cadeira comum para acompanhar um curso presencial ou on-line. Preciso levantar, caminhar, mudar de posição, procurar apoio, alongar ou fazer uma pausa. Uma atividade que parece simples para outra pessoa pode exigir de mim planejamento antes, adaptações durante e recuperação depois.

A dor pode aparecer em diferentes regiões do corpo e interferir no sono, que muitas vezes fica fragmentado. Pode afetar meu cansaço, concentração, disposição, rotina e humor. Existem dias em que o corpo simplesmente exige outro ritmo.

E existe uma consequência particularmente difícil para mim: quando a dor fica muito intensa, até minha comunicação pode ser prejudicada.

Posso saber perfeitamente o que quero dizer, inclusive estar falando sobre um assunto que domino profundamente, e não conseguir organizar as palavras e expressar meu pensamento com a clareza e a fluência habituais. Posso interromper frases, procurar palavras ou ter dificuldade para coordenar a fala naquele momento.

Isso me constrange e, muitas vezes, me deixa envergonhada, porque quem está diante de mim pode interpretar apenas aquilo que está vendo naquele instante.

Mas meu conhecimento não desapareceu. Minha inteligência não diminuiu.

Naquele momento, o que está prejudicada é minha capacidade funcional de expressar tudo aquilo que continua dentro de mim.

Meu neurologista me explicou de maneira muito simples: diante de uma dor de grande intensidade, o cérebro passa a priorizar aquele estímulo, e outras funções podem temporariamente perder eficiência. Por isso, não se deve confundir uma dificuldade momentânea de comunicação durante uma crise dolorosa com capacidade intelectual.

Também não se deve avaliar a condição de alguém pelo fato de ela estar caminhando, fazendo exercícios, sorrindo ou aparentemente levando uma vida normal.

Parecer bem não significa estar sem dor.

Fazer exercício não significa estar curada.

Conseguir realizar alguma coisa não significa conseguir fazê-la sem adaptações, limitações ou consequências.

A parte visível é aquilo que eu consegui fazer.

A parte invisível é tudo o que meu corpo precisou enfrentar e adaptar para que eu conseguisse fazer, além do desgaste contínuo, não aparente dos ossos, que passaram por cirurgia e descompressão da medula. Doença invisível, permanente com dor crônica , sem cura que deixa meu corpo com dor pque está sempre inflamado é simplesmente uma construção diária do que vai doer, locais, como melhorar .

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