Exercícios da Academia e rotina!
Os movimentos da aula que levamos para a vida
Às vezes fazemos um exercício na aula e pensamos apenas naquele momento: levantar, abaixar, alongar, girar, equilibrar, esticar. Só que esses mesmos movimentos aparecem depois, silenciosamente, dentro da nossa casa e da nossa rotina.
Ontem eu estava deitada na cama e fui puxar uma coberta. Para alcançá-la, precisei virar o corpo e usar o braço de uma determinada maneira. Na mesma hora percebi: eu havia feito praticamente aquele mesmo movimento na aula.
E comecei a pensar em quantos exercícios fazemos sem perceber o quanto eles têm relação com nossa vida diária.
Quando elevamos a panturrilha e levantamos os braços, por exemplo, estamos treinando um movimento muito parecido com aquele que fazemos para alcançar uma xícara ou um objeto em uma prateleira mais alta.
Quando fazemos um agachamento, treinamos o movimento necessário para abrir uma gaveta baixa, pegar alguma coisa perto do chão ou nos abaixar com mais consciência.
Quando trabalhamos a rotação do tronco, colocamos a perna para o lado e giramos o corpo, estamos desenvolvendo a mobilidade que depois utilizamos para nos virar na cama, alcançar uma coberta ou pegar alguma coisa que ficou ao nosso lado.
Tirar roupas da máquina de lavar também exige movimentos de flexão e controle do corpo. Derrubou um sabonete no chão do banheiro? Lá está um movimento semelhante ao stiff. Precisou alcançar alguma coisa um pouco mais longe? Alongamento, mobilidade, equilíbrio e força entram em ação.
Outro dia derrubei farelos em cima da esteira e precisei limpar. Sentei no chão, abri as pernas e o farelo estava um pouco à minha frente. Inclinei o tronco e usei uma vassourinha pequena para puxá-lo.
Parece uma cena absolutamente banal.
Mas eu pensei: eu só consigo fazer isso hoje porque treinei esse movimento.
É aí que mora a diferença.
Muitas pessoas realizam todos esses gestos rapidamente e de maneira inconsciente. Levantam, sentam, abaixam, viram, alcançam, sobem e descem sem precisar pensar sobre isso.
E, no meio de tantas dificuldades, a gente acaba percebendo o quanto as pequenas coisas são importantes.
Quando determinados movimentos se tornam difíceis, cada pequena conquista passa a ter outro significado. Aquilo que antes fazia parte da correria do dia e passava despercebido começa a ser observado, valorizado e comemorado.
Quem não precisa enfrentar determinadas limitações muitas vezes nem percebe quantos movimentos realiza ao longo de um único dia. Não por falta de gratidão, mas porque o corpo simplesmente faz, a rotina continua e o dia passa.
Eu mesma já vivi assim.
Depois, houve um período em que precisei pensar para executar movimentos que antes eram espontâneos para mim.
Eu precisava pensar em como iria levantar.
Como iria sentar.
Como subiria uma escada.
Como desceria.
Como me viraria.
Como alcançaria alguma coisa.
E talvez somente quem já precisou pensar antes de realizar um movimento compreenda a dimensão de voltar a fazê-lo sem precisar planejar cada etapa.
Hoje muitos desses movimentos voltaram a acontecer com mais espontaneidade. Graças a Deus.
Mas não aconteceu de um dia para o outro.
Antes da academia houve muita fisioterapia. Muito trabalho. Muita repetição. Houve um período depois da cirurgia em que caminhar durante dez minutos, dentro de casa, já era uma conquista gigantesca.
Eu ia da sala para a cozinha, da cozinha para a sala, bem devagar.
E feliz.
Depois comprei uma esteira simples e comecei novamente: dez minutos.
Com dor.
Depois vinte.
Depois trinta.
Bem devagar.
Bem devagar mesmo.
Até que comecei a querer fazer minhas coisas.
Provavelmente antes da hora, porque aí entra outra característica minha: sou teimosa.
Eu queria colocar roupa para lavar, organizar as coisas, limpar a casa, mexer daqui, mexer dali. Mal conseguia segurar a vassoura direito; muitas vezes ela servia mais como apoio do que como vassoura.
E ainda havia a limitação do braço esquerdo.
Eu rio lembrando porque a imagem devia ser ótima: uma legítima Monster High, apoiada na vassoura e querendo fazer tudo.
Tudo!
A Rosa estava comigo e eu, sem conseguir fazer as coisas, ficava dando instruções:
— Tem que trocar o lençol.
— Tem que colocar a coberta para lavar.
— Tem que fazer isso.
— Tem que fazer aquilo.
Uma pequena general deitada na cama.
Devia ser uma chatice.
Mas por trás daquela vontade de mandar organizar tudo havia outra coisa: eu queria desesperadamente poder levantar e fazer aquilo sozinha novamente.
Talvez por isso cada pequena conquista tenha adquirido um valor enorme.
Hoje, quando vou para uma aula, não penso somente em executar exercícios.
Observo meu corpo.
A professora propõe um movimento, eu experimento. Percebo se consigo. Vejo onde existe limitação, onde aparece dor, onde preciso adaptar. Alguns movimentos meu corpo já conhece; outros ainda estou aprendendo a reconhecer.
É um trabalho progressivo.
Também existem desequilíbrios. Meu joelho, por exemplo, algumas vezes já “falhou” durante atividades diferentes. Meu corpo precisa administrar alterações no quadril, mudanças de carga, peso, força, compensações e limites. Por isso não se trata simplesmente de fazer ou não fazer determinado exercício.
É preciso desenvolver consciência corporal.
Saber onde está o pé.
Onde está o joelho.
Como o quadril está trabalhando.
Quanto peso estou colocando de um lado.
Como devo levantar.
Até onde devo ir.
Quando devo adaptar.
As aulas trabalham força, resistência, mobilidade, equilíbrio e coordenação. Mas, para mim, elas trabalham algo ainda maior:
autonomia.
Está chegando perto de um ano desde que comecei na academia. Antes disso já havia um longo caminho de fisioterapia e recuperação.
Quem olha para mim fazendo uma aula talvez pense que não tenho nada.
Porque muita coisa não aparece.
Não existe uma placa presa ao corpo contando o trabalho que foi necessário para chegar até aquele movimento.
Ninguém vê quantas vezes ele foi tentado.
Ninguém vê o exercício que permaneceu estacionado enquanto outros evoluíram.
Ninguém vê as pequenas modificações que o corpo sente imediatamente.
Nem as frustrações que também aparecem no processo.
Mas existe evolução.
Existe progresso.
Existe persistência.
E existe uma coisa que, nesse caso, considero maravilhosa:
a minha teimosia.
Graças a ela, hoje faço muitas coisas que já houve um tempo em que eu não conseguia fazer.
E a sensação de recuperar uma pequena ação cotidiana — pegar uma roupa, alcançar uma xícara, virar na cama, limpar alguma coisa, levantar sozinha — pode ser indescritível.
Porque aquilo que para alguém pode parecer apenas um movimento pequeno, para outra pessoa pode representar uma enorme conquista.
Talvez seja justamente essa a beleza dos movimentos que fazemos durante uma aula:
eles não ficam na aula.
Eles voltam conosco para casa.
Entram na cozinha, no quarto, no banheiro, na lavanderia.
Aparecem quando alcançamos uma prateleira, quando pegamos alguma coisa no chão, quando viramos na cama ou simplesmente quando levantamos de uma cadeira sem precisar pensar em cada etapa.
E um dia percebemos que aquilo que precisou ser reaprendido voltou, pouco a pouco, a fazer parte da vida.
E com isso aprendemos também uma coisa muito importante:
há uma imensidão de valor nas pequenas coisas que o corpo consegue fazer todos os dias.
Gratidão aos médicos, Guilherme Andrade,( coluna) Fernando Baroni,(quadril) Tieslivi ( braço) Vieira, Igor( neurologista , Marcial e Mello ( coração), Vitor( otorrino) Fernando ( oftalmo) , Fisioterapeuta Júlio Galleti ( ortofísio)e Felipe Backs ( Reabilitação da cardiosports), Professora Andrea Souza ( EXERCÍCIOS QUE UTILIZAMOS NO DIA A DIA . GRATIDÃO!!!!!!!!!!! E demais professores da Academia F. SCHERER.
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