Lados!
Sempre penso sobre isso.
Se há o mal, como classificá-lo?
Muitas vezes fico indignada com sistemas, conluios, injustiças e comportamentos humanos que simplesmente não consigo compreender.
E nem preciso procurar conceitos históricos, jurídicos ou bíblicos. Nem recorrer à conhecida ideia de não fazer ao outro aquilo que não gostaríamos que fizessem conosco.
Penso de uma maneira muito mais simples, humana e direta:
Como alguém consegue depredar aquilo que não é seu?
Estragar as coisas dos outros?
Achar que tem o direito de invadir?
De ocupar o espaço que pertence a outra pessoa?
De usar aquilo que não lhe pertence?
Então paro e penso:
Gratidão porque estou deste lado.
Seria tão pequeno estar do outro lado.
Ser a pessoa que pratica a maldade, que prejudica alguém ou que encontra satisfação na tristeza alheia.
Gratidão por estar do lado de quem deseja o bem, de quem procura fazer o bem e simplesmente quer permanecer em seu próprio espaço, vivendo a própria vida e cuidando das próprias coisas.
E, de certa maneira, sinto até piedade daqueles que escolhem o outro lado.
Pessoas que gastam a própria existência obcecadas pela vida dos outros.
Que pena.
Quanto tempo de vida perdido.
Quanto tempo de luz desperdiçado.
Tenho gratidão também por não querer — e talvez nem saber — revidar o mal com o mal.
Lembro de uma poesia de Dina Deja que diz, em essência, que cada pessoa oferece aquilo que carrega dentro de si.
E acredito profundamente nisso.
Fui criada no amor; aprendi a dar amor.
Fui criada na paz; aprendi a oferecer paz.
Fui criada no respeito; aprendi a respeitar.
Cada um oferece aquilo que aprendeu, aquilo que cultivou e aquilo que guarda dentro de si.
Eu só sei oferecer aquilo que tenho.
E também só sei oferecer verdades.
Por isso, lembrando a poesia da Verdade e da Mentira, sigo assim:
ando nua porque me visto de verdade.
No final, talvez seja justamente isso que nos define.
Não aquilo que fizeram conosco.
Mas aquilo que, apesar de tudo, escolhemos não nos tornar.!
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