Meus 15 anos!


Meus quinze anos!
Aos quinze anos, eu ainda era uma menina que brincava com suas bonecas: Bochechinha, Guigui, Dóra, Manequinho, Popóte, Feijãozinho, Bailarina, Emília, Suzie, Barbie Rockeira, Fofoletes, Moranguinhos — para as quais a avó da Valkiria Mafaciole fez roupinhas de crochê para mim —, além da casinha de madeira da Barbie, das roupinhas que fazíamos na máquina de costura da mamãe e dos bonecões gigantes que ganhei dos meus avós.
Era um tempo em que muitas meninas faziam seus bailes de debutantes no clube. Outras viajavam para comemorar os quinze anos. Meus pais haviam guardado dinheiro para que eu pudesse escolher entre uma grande festa no clube ou uma viagem.
Eu não quis nenhuma das duas coisas.
Não queria dançar valsa com algum rapaz famoso que eu nem conhecia, usando vestido de princesa, em uma festa cheia de pessoas com quem eu nem convivia.
Eu queria outras coisas.
Pedi um aparelho de som — o melhor! Completo, com sete leitores de CDs, toca-fitas duplo para gravar, o velho “bolachão” em cima, estações de rádio e aquele equalizador colorido que se mexia conforme a música. Pedi roupas, um quarto novo, almoço para a família e, à noite, queria chamar meus amigos para comemorar em casa, com coisas caseiras.
E foi demais!
Minha festa tinha aquela energia dos anos 80, com a galera reunida, música tocando no som e todo mundo se divertindo.
E ganhei meu quarto novo, dos Irmãos Ugaldi, com armário, estante, espelho para organizar meus esmaltes e minhas maquiagens. Ganhei também um top novo, todo bordado pela minha mãe com lantejoulas pretas.
Eu estava deixando para trás o quarto da Sarah Kay, com suas cortinas e colcha, e escolhendo um quarto mais neutro, com armário, estante e um aparelho de som onde eu pudesse cantar e dançar.
Fui criticada por não querer o tradicional baile de quinze anos.
Mas não me importei muito com as más línguas.
Afinal, dizia-se que o baile de debutantes era uma forma de “apresentar a menina à sociedade”. Eu olhava para aquilo e achava curioso: muitas das meninas que seriam solenemente apresentadas à sociedade já namoravam, algumas já tinham iniciado sua vida sexual, enquanto eu ainda era virgem — e não sentia necessidade nenhuma de ser “apresentada” daquele jeito.
Eu simplesmente queria continuar sendo eu.
Queria minhas bonecas, meus amigos, minha música, meus esmaltes, minhas maquiagens, meu quarto novo e a minha família por perto.
E fiquei muito feliz com a minha escolha.
Talvez aqueles quinze anos tenham me ensinado uma coisa que carreguei para a vida inteira: nem sempre precisamos escolher aquilo que esperam de nós.
Às vezes, crescer é justamente perceber que podemos escolher aquilo que nos faz felizes e está mais próximo do que queremos e não do que os outros querem ou acham correto!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Uma vida inteira ! Idoneidade!

Meus filhos !