Preço e valor!

Preço e valor!
Valores
Hoje estava conversando com algumas colegas e acabamos falando sobre valores — em todos os sentidos da palavra.
Espero sinceramente que Florianópolis não se transforme em um pequeno mundo aristocrático ou oligárquico, desses em que se paga por uma academia o equivalente à prestação de uma BMW ou em que sair para beber uma taça de champagne exige quase a venda de um rim humano no Saara.
Vivemos, sim, em uma sociedade capitalista. Existe liberdade econômica, diferenciação de produtos, serviços exclusivos, marcas de luxo e públicos distintos. Mas liberdade de mercado não significa ausência absoluta de limites.
O Código de Defesa do Consumidor considera prática abusiva exigir do consumidor vantagem manifestamente excessiva e também elevar, sem justa causa, o preço de produtos ou serviços.
O Código Civil, por sua vez, também conhece a figura do enriquecimento sem causa e determina a restituição daquilo que tiver sido indevidamente auferido quando alguém se enriquecer, sem justa causa, à custa de outra pessoa.
Isso não significa, evidentemente, que tudo aquilo que é caro seja ilegal. Uma bolsa pode custar muito porque é artesanal, um restaurante pode utilizar ingredientes raros, uma academia pode oferecer estrutura diferenciada, e um hotel pode cobrar pela localização, exclusividade e padrão de serviço.
A questão é outra.
Preço alto não deveria ser confundido automaticamente com qualidade, pertencimento social ou superioridade.
Também não deveria existir essa ideia de que questionar um preço é “coisa de quem não pode pagar”. Às vezes a pessoa pode pagar perfeitamente e simplesmente não aceita pagar porque conhece o valor real daquilo que está comprando.
A Idade Média acabou. Não existem títulos de nobreza comprados numa mensalidade de academia, numa garrafa sobre a mesa ou numa etiqueta pendurada numa roupa.
Dinheiro compra coisas.
Não compra origem, inteligência, cultura, educação, elegância, caráter ou discernimento.
E talvez esteja justamente aí a diferença entre ter dinheiro e saber o valor do dinheiro.
Porque pagar caro por algo que efetivamente vale caro é uma escolha.
Pagar uma exorbitância apenas para demonstrar que pode pagar não é necessariamente sinal de riqueza.
Às vezes é apenas falta de senso crítico.
E, na versão menos jurídica e mais direta da conversa entre amigas:
quem paga uma exorbitância por algo apenas porque quer provar que pode pagar não está necessariamente demonstrando poder. Pode estar apenas fazendo um péssimo negócio. O raciocínio entre “preço” e “valor”é rico!  

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