Vida vivida
( foto acima nadando na modalidade Bia/ peixinho, com os braços para baixo pque não posso fazer o movimento de rotação / manguito rompido / osteoartrite / bursite.. ombro/ cotovelo)
Adolescência saudável
Eu não era nenhuma miss, mas cheguei a ser convidada para desfilar pelo Clube Dores, por Cleiber Ruviaro Filho — e agradeci o convite. Também recebi de Paulo Ricardo, do ATC, o convite para ser Rainha do Carnaval Infantil.
Nunca fui muito ligada nessas coisas. Cheguei a fazer curso com um bambambã famoso no Riachuelo, mas definitivamente não era a minha praia.
Eu tinha 1,60 m, calçava 34 ou 35 e tinha medidas boas. Gostava mesmo era de dançar. Dancei no ballet da Rose Marie, na Tetê e no Edelweiss. Também representei minha escola em concurso de Ginástica Rítmica.
Fui criada com um gravador e um microfone para me distrair, inventando e contando histórias das bonecas e de todos os brinquedos. Talvez venha daí uma parte desse meu gosto por narrar vidas, lembranças e sentimentos.
Eu não ligava para concursos de beleza, para quem era a mais bonita ou para quem dançava melhor. Vim de um tempo em que era muito bom ter amigos. Do tempo das festinhas em que cada um levava alguma coisa, para que ninguém precisasse gastar demais e tudo pudesse ser dividido.
As músicas eram de bandas que tinham letras que ficavam dentro da gente: Legião Urbana, Engenheiros do Hawaii, Capital Inicial, Kid Abelha...
Os saraus começavam cedo e terminavam à meia-noite. Meia-noite! Como num conto de fadas. E lá estava o pai esperando com o carro na porta, em frente ao clube.
Meu Deus!
Histórias e trajetórias de vida.
Cada pessoa tem as suas e, quando começamos a contá-las, conseguimos bordar imensas colchas de retalhos de memória — tecidos carregados de perfume, sabor, música, imagens e sentimentos.
Tenho histórias muito ricas.
Meu primeiro namorado, com quem fiquei por quase sete anos, foi uma experiência fascinante da adolescência. Um relacionamento que cumpriu o seu tempo. Quando acabou, acabou bem. Mas ficaram cenas que parecem retiradas de um filme e que são quase indescritíveis.
Como olhar as estrelas deitada no telhado, tomando vinho e degustando uma salada de flores.
Ou um Natal em que, de repente, faltando quinze minutos para a meia-noite, ele apareceu na minha porta. Havia saído de Porto Alegre, onde estava com a família, e simplesmente chegou ali.
Também guardo a lembrança da caixa de porta-joias que ele pediu para a irmã, Lú, preparar, colocando dentro todos os bombons que eu adorava, e do tênis mais famoso da época colocado numa caixa gigantesca para me dar de presente.
Foi uma adolescência bem amada e bem vivida. Mas também vivida com responsabilidade.
Na vida adulta vieram outras histórias. Outras vivências. Outros amores. Outros aprendizados. Também muito amados e sempre acompanhados das responsabilidades que a vida adulta inevitavelmente traz.
E, embora a fantasia de Mulher-Maravilha que ganhei do meu pai — aquela que ele trouxe de Porto Alegre depois de revirar Santa Maria procurando e não encontrar — já não caiba mais em mim...
eu a visto todos os dias.
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