Como eram realizadas as monografias?
Como as monografias eram feitas: entre bibliotecas, doutrinas, rascunhos e canetas
Houve um tempo em que elaborar uma monografia era uma verdadeira jornada de pesquisa, leitura, escrita e perseverança.
Quando elaborei minhas duas monografias na área do Direito, os recursos tecnológicos eram bastante diferentes dos atuais.
As pesquisas exigiam horas e horas de dedicação. Frequentava as bibliotecas da Universidade e da Ordem dos Advogados do Brasil — OAB, onde lia laudas e mais laudas de obras jurídicas, selecionando páginas, identificando os principais argumentos doutrinários e anotando as citações que fundamentariam meus trabalhos.
As compilações eram realizadas a partir de doutrinas jurídicas, dados estatísticos já publicados, revistas especializadas e até documentários disponíveis em DVDs.
Era necessário selecionar, interpretar, comparar e organizar todo aquele material.
E havia um detalhe fundamental: cada citação precisava estar devidamente identificada, com sua respectiva fonte bibliográfica.
Não bastava copiar informações. Era necessário compreender o pensamento dos autores, desenvolver uma argumentação própria e demonstrar a pertinência das referências utilizadas.
Depois começava outra etapa igualmente trabalhosa: a redação.
Os textos eram digitados, impressos e revisados manualmente. As folhas retornavam repletas de observações, palavras riscadas, correções à caneta e anotações nas margens.
Era preciso voltar ao computador, redigitar os trechos, ajustar os parágrafos, corrigir as referências e imprimir novamente.
Tudo precisava obedecer às exigências da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT.
As bancas examinadoras eram categóricas quanto à fundamentação teórica, à metodologia, à estrutura do trabalho e ao domínio do assunto apresentado.
Tive, felizmente, dois orientadores maravilhosos.
Na minha primeira monografia, fui orientada pelo Dr. Arcênio Brauner. Na segunda, tive como orientador o Dr. Alceu de Oliveira Pinto Júnior.
Guardo o reconhecimento pela orientação e pelo conhecimento compartilhado durante essas etapas da minha formação acadêmica.
Também tivemos aulas magníficas com a Dra. Helena, especialmente voltadas à montagem, organização e estruturação dos trabalhos científicos, seguindo os ensinamentos metodológicos do renomado Professor César Luiz Pasold.
Era uma formação que exigia método, disciplina, responsabilidade intelectual e respeito às fontes pesquisadas.
A construção de uma monografia não se resumia à entrega de um trabalho acadêmico. Representava um processo de amadurecimento intelectual.
Aprendíamos a pesquisar, questionar, interpretar e fundamentar nossas conclusões.
Hoje, as ferramentas digitais permitem localizar informações, organizar referências e revisar textos com uma rapidez que, naquela época, seria quase inimaginável.
Entretanto, a facilidade tecnológica não substitui o conhecimento adquirido por meio da leitura, da reflexão e da pesquisa criteriosa.
Quem viveu aquele período sabe o valor de uma biblioteca, de um livro cuidadosamente consultado, de uma página marcada e de uma orientação acadêmica bem conduzida.
As ferramentas mudaram. A responsabilidade pela construção do conhecimento permanece.
E, entre livros, doutrinas, folhas impressas
( Post feito no Covid)e correções à caneta, construímos muito mais do que monografias: construímos parte da nossa formação profissional e intelectual.
Sabores e Saberes by Bia
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